A História da minha
Lambretta (por Marlon Höger)
Desde criança, cresci
com a história de que meu avô materno teve uma Lambretta. Após alguns anos fiquei
sabendo que ela ainda existia e estava com o meu tio na cidade de Timbó em Santa
Catarina, isto me deixou muito curioso em saber em que estado de conservação ela se
encontrava e como ela era. Por forças do destino meu tio acabou vindo morar em
Guarapuava, cidade na qual eu residia, trazendo com ele a tal da Lambretta. Fiquei
muito contente com o que vi, bem nem tanto. Ela não funcionava. Nem partida
dava.
Como na época eu já possuia uma moto (Agrale 27.5 EX para
trilha), e tinha alguma noção de mecânica e carburação de moto, pedi autorização
para minha avó se eu poderia tentar fazê-la funcionar. Após muita limpeza,
lubrificação e teimosia ela pegou. Andei com ela somente algumas voltas, pois não
possuia documentação da mesma para circular com tranquilidade. Mas como meu tio veio
morar na casa da minha avó, a Lambretta começou a tomar espaço na casa dela. Botaram a
Lambretta a venda. Não poderia deixar que vendessem a mesma para qualquer pessoa, fiz
questão então de comprá-la, paguei R$ 600,00 por ela em 1994, mesmo sem documentação.
Desde então ela passou a ocupar espaço na casa de meus pais.
Eles se mudaram para Itapema em Santa Catarina e a Lambretta acabou indo junto. Nesta
época eu já morava em Curitiba, mas não tinha condições de guardá-la em casa por
estar morando em apartamento. Por eu passar as minhas temporadas de férias de verão na
casa de meus na praia, eu e um dos meus primos tivemos a brilhante idéia de tentar por em
funcionamento novamente a dita cuja. Limpa daqui, engraxa daqui, pedala, pedala e pronto,
estávamos andando com ela pelas ruas de Itapema. Foi uma diversão temporária até que o
motor trancou.
Em 1997 mudei de endereço em Curitiba, e a trouxe para cá.
Ficou guardada no fundo do quintal até meados deste ano (2000). Resolvi então dar uma
solução a ela, ou eu a reformava ou vendia as peças para quem a quisesse. Iniciei o
processo de desmontagem da mesma, não deixei peça sobre peça, nem parafuso entre porca.
As peças da lataria serão preparadas e repintadas, de acordo com informações e
padrões de cores da época, colhidas na Internet em sites especializados sobre o assunto,
um deles é o http://www.lambretta.com
que possui links para uma série de outros sites do assunto. Num destes links, foi que
descobri o modelo exato dela, uma LI 150 Serie II. A cor que ela estava pintada quando a
peguei não é a original, como podem ver na primeira foto, descobri que ela deverá ser
pintada de branco com detalhes verdes, sendo estes detalhes que dão a característica de
cor, sendo a cor da minha, o Verde Nilo. Muitas peças nela estão faltando, será uma
maratona consegui-las em ferro-velhos ou em lojas especializadas, principalmente as peças
com detalhes cromados.
O maior problema de toda esta restauração foi encontrar ou
fazer a documentação necessária para trafegar com ela. Talvez com a compra de outra
Lambretta, eu possa de duas fazer uma. As fotos demonstrarão a evolução do processo de
restauração, desde como ela era, as peças desmontadas antes da reforma, as peças antes
da montagem, o processo de montagem, pintura, acabamentos e finalmente o trabalho
realizado com muito orgulho. Na verdade eu não fazia muita questão de ter uma Lambretta,
mas sim eu faço muita questão de ter esta Lambretta, que foi do meu avô. |